SURGIMENTO DA MEDICINA VETERINÁRIA
Existem dois tipos de prática veterinária que estão direcionadas à medicina populacional. São elas: a Medicina Veterinária Preventiva, ligada à saúde humana por aplicar conhecimentos da epidemiologia para previnir as enfermidades animais e melhorar a produção de alimentos; e a Medicina Veterinária Prática, que é voltada à medicina populacional e a saúde pública, que foi primeiramente desenvolvida por meio da higiene de alimentos.
Em 1984, Schawabe divide as ações praticadas pela Medicina Veterinária Preventiva em cinco fases e as considera ligadas às atividades relacionadas à "doença animal".
- Fase de ações locais: Período que tem início na pré-história até o primeiro século da era cristã. Os primeiros esforços dirigidos à doença animal foram descritos nas antigas civilizações da Suméria, Egito e Grécia, com referências a curandeiros de animais antes da era cristã. Esse tipo de ocupação acompanhou o surgimento da vicilçização urbana, sendo necessária a habilidade das populações rurais em produzir alimentos em quantidade suficiente para sua subsistência, fazendo uso da força animal. Ao lado do tratamento médico, além de cirúrgico e obstétrico foram aplicadas também (ates de desenvolvida a teoria do contágio), a quarentena e o sacrifício de animais enfermos.
- Fase mililar: Com início no primeiro século da era critã. A expansão das nações levou o controle de doenças animais à larga escala. Houve a criação de estruturas organizadas de pessoas que curavam os animais dentro dos exércitos, pela importância militar que o cavalo assumia. Durante esse longo período de serviços veterinários (Idade Média e Renascimento), os avanços no controle de doenças se limitaram ao aperfeiçoamento das técnicas básicas do diagnóstico clínico com o desenvolvimento da habilidade de diferenciar as combinações dos sinais de doenças específicas. Essa quarta tática para o controle das enfermidades dos animais estava associada à melhoria na organização de infra-estrutura dos serviços.
- Fase da polícia sanitária animal: Em 1762 é criada a primeira escola veterinária. Os líderes militares reconheceram o potencial de tais esforços educacionais organizados e muitos estudantes das primeiras escolas eram oficiais militares. Nessa fase, houve o estabelecimento de centros organizados de tratamento veterinário, primeiramente como parte das escolas de veterinária e, mais tarde, como serviços separados. Foram adotadas duas novas táticas de controle de enfermidades: a higiêne (quinta tática) e o controle sobre o abate de animais (sexta tática). ações forneceram diretamente a base para os primeiros esforços direcionados à saúde pública. Observou-se que uma das principais falhas dos programas veterinários para o controle de enfermidades não estaria nas deficiências técnicas dos programas, mas nas deficiências da comunicação com o público.
- Fase das campanhas ou ações coletivas: Em 1880, começaram observações e experimentos sobre o anthrax pelo Delafont, diretor da segunda escola de veterinária do mundo. Conhecidos trabalhos de Pasteur, Chauveau, Koch e Salmon conduziram à "revolução microbiológica", fornecendo base para uma nova abordagem para a investigação de doenças na busca de identificação de seus agentes etiológicos. Nessa fase, foi introduzida uma outra tática para prevenção e controle de enfermidades que consiste em ações populacionais como o diagnóstico, a imunização e a terapia, além de alguns procedimentos em ecologia aplicada com o controle de vetores e educação em saúde dos proprietários dos animais.
- Fase de vigilância e ações coletivas: O surgimento da teoria sobre os agentes etiológicos marcou uma dase muito produtiva para a Medicina Veterinária. No entando, observou-se que outros fatores intervinham no aparecimento das enfermidades, sendo necessária uma abordagem mais ampla do problema. Essa constatação gerou uma crise na Medicina Veterinária Preventiva que instalou no início dos anos 1950 pela verificação de vários aspectos (SCHWABE, 1984): Apesar de serem efetuadas campanhas, houve uma redução das enfermidades, mas sem eliminá-las; O custo era muito alto para o controle de certas enfermidades; ausência de controle de algumas doenças; incapacidade em lidar com novas situações práticas que surgiam na criação intensiva. Em resposta a essa crise, surgiu a "revolução epidemiológica", onde cada situação requer análise dos fatores que interagem para a ocorrência de doenças. O diagnóstico epidemiológico passou a constituir uma nova tática para o controle de enfermidades. Essa fase teve seu início em 1960 e continua até os dias de hoje.
[ http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84782004000500055 ]
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